Mesa Setorial do INSS é retomada com debates sobre PGD saúde do trabalhador e impacto da inteligência artificial
CNTSS e sindicatos de base reforçam denúncias e cobram medidas imediatas da gestão
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), participou, nesta segunda-feira (17), da reunião de retomada do Comitê Permanente de Processos de Trabalho do INSS, realizada na Administração Central, em Brasília, com participação híbrida. Previsto pela Portaria PRES/INSS nº 1.455/2022, o Comitê é um espaço estratégico para discutir condições de trabalho, processos e políticas que afetam diretamente os servidores.
Representaram a CNTSS/CUT os dirigentes Stela Pragana (Sindsprev-PE), José Gustavo (Sindsprev-PE) e Deivid Christian (Sindiprev-SE). Também estiveram presentes representantes da FENASPS, CONDSEF e, excepcionalmente, da ANASEG. A reunião foi aberta pela Diretora de Gestão de Pessoas do INSS, Yveline Barretto Leitão, e conduzida pela Coordenadora-Geral de Administração de Pessoas, Anelizia Gonçalves Rodrigues.
Reuniões mensais e construção de Regimento Interno
Logo no início, foi definido que o Comitê passará a se reunir mensalmente, com encontros de dia inteiro. As entidades cobraram critérios claros para participação de convidados e ouvintes, apontando a necessidade de regulamentação. Após amplo debate, ficou encaminhada a elaboração de um Regimento Interno, garantindo paridade e organização das discussões.
PGD, metas abusivas e adoecimento dos servidores
O tema mais sensível foi o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), instituído pela Portaria nº 1.800/2024. As entidades relataram que o modelo tem ampliado a sobrecarga de trabalho e imposto metas desproporcionais, impactando diretamente a saúde dos servidores.
Foram mencionados casos de adoecimento e até óbitos relacionados ao excesso de trabalho.
A CNTSS cobrou que a gestão retome o debate histórico sobre o PGD dentro do Comitê, promovendo ajustes urgentes e garantindo participação efetiva dos trabalhadores em sua reformulação.
Sistemas instáveis e cobrança de transparência da Dataprev
Outro ponto crítico foi a sucessão de falhas e instabilidades nos sistemas utilizados pelo INSS. As entidades destacaram que as interrupções prejudicam a produtividade e aumentam a pressão diária sobre os servidores.
Diante disso, foi defendida a participação obrigatória da Dataprev nas próximas reuniões, com apresentação de informações sobre glosas, abatimentos e aplicação dos investimentos em tecnologia.
Inteligência Artificial e novos riscos à carreira
Com o avanço da tecnologia no órgão, a reunião também discutiu o impacto da inteligência artificial (IA) sobre o trabalho dos servidores.
A CNTSS e demais entidades alertaram para o risco de esvaziamento das atribuições, transferência de tarefas complexas sem revisão de pontuação e falta de regulamentação formal sobre o uso da IA.
Foi reivindicada a construção de normas internas e capacitações específicas, garantindo segurança e valorização profissional.
Saúde do trabalhador e retirada de adicionais de insalubridade
As entidades denunciaram a retirada de adicionais de insalubridade baseada em laudos terceirizados, apontando inconsistências metodológicas.
A gestão informou a alocação nacional de 13 profissionais de segurança, 7 psicólogos e 7 terapeutas ocupacionais, número considerado insuficiente diante das necessidades do INSS.
Encaminhamentos definidos
Ao final da reunião, ficaram pactuados os seguintes encaminhamentos:
Reuniões mensais, com duração de dia inteiro;
Criação de um grupo de WhatsApp para tratar do Regimento Interno e demais temas;
Proposta de alteração da Portaria para normatizar convidados e estabelecer periodicidade;
Próxima reunião: 02/12/2025;
Disponibilização da gravação da reunião via Teams.
A Confederação orienta que a categoria permaneça atenta aos informes e fortalecida em seus sindicatos de base. A entidade reafirma que é fundamental manter a mobilização para cobrar que a nova gestão do INSS cumpra os compromissos assumidos de reconstrução institucional, valorização dos servidores e melhoria do atendimento à população brasileira.