Campanha salarial avança com novas mobilizações e cobranças por negociação efetiva
A campanha salarial dos trabalhadores da saúde, previdência e assistência social entrou em uma nova fase de mobilização nacional, com entidades sindicais intensificando a articulação em torno das pautas apresentadas ao governo federal ainda no início deste ano. Entre os principais pontos em debate está a reivindicação de reajuste para o período 2026/2027 garantindo no mínimo de 9% para todos os cargos em todas as Categoria, além da defesa de melhorias nas condições de trabalho e da valorização dos servidores públicos.
A pauta de reivindicações, construída coletivamente e entregue nos primeiros meses de 2026, reúne demandas históricas da categoria, incluindo recomposição salarial com ganho real, fortalecimento do Regime Jurídico Único (RJU) e a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva no setor público. Apesar de avanços pontuais nas mesas de negociação, representantes sindicais avaliam que ainda há entraves para a consolidação de uma política permanente de valorização dos servidores.
Nesse contexto, as mesas específicas de negociação envolvendo áreas como Ministério da Saúde e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm sido apontadas como espaços estratégicos para o aprofundamento do diálogo. As entidades defendem que essas instâncias avancem não apenas nas questões salariais, mas também em temas estruturais que impactam diretamente o cotidiano dos trabalhadores, como condições de trabalho, dimensionamento de pessoal e organização das carreiras.
A mobilização ganhou novo impulso com a realização da Marcha da Classe Trabalhadora, que reuniu categorias de todo o país em Brasília no último dia 15 de abril. Convocada pelas centrais sindicais com a participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS) e Sindsprev-PE. A atividade integrou um calendário mais amplo de lutas, e por avanços concretos nas negociações com o governo. A programação contou com plenária nacional e participação de delegações de diversos estados, reforçando a unidade entre os diferentes segmentos da classe trabalhadora.
Entre as bandeiras centrais levantadas durante a mobilização estiveram o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o combate à precarização dos vínculos laborais. No caso do serviço público, também ganharam destaque a rejeição a propostas de mudanças estruturais na gestão pública que possam flexibilizar direitos e a defesa do caráter público dos serviços, diante de discussões sobre modelos administrativos que ampliem a participação de entidades privadas.
A campanha salarial também se insere em um cenário mais amplo de debate sobre o futuro das relações de trabalho no setor público. Propostas que envolvem alterações na estrutura administrativa do Estado e possíveis mudanças nos regimes de contratação têm sido acompanhadas com preocupação por entidades sindicais, que alertam para os impactos dessas medidas na organização das categorias e na garantia de direitos historicamente conquistados.
Durante a agenda em Brasília, representantes sindicais também buscaram diálogo com diferentes instâncias institucionais, incluindo o Executivo e órgãos do Judiciário, com o objetivo de reforçar a necessidade de avanços nas pautas apresentadas. A expectativa é que a pressão exercida pela mobilização contribua para destravar negociações e ampliar o reconhecimento das demandas da categoria.
Com a continuidade das atividades até o final da campanha salarial, as entidades acriditam que as pautas apresentadas e as mobilizações dos trabalhadores do setor, articulem mesas mais favoráveis e debates estruturais sobre o papel do Estado, a valorização do serviço público e as condições de trabalho no país.